quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Como evitar o uso de veneno por meio do controle biológico


Para o controle biológico das pragas na hidroponia é necessário, antes de mais nada, conhecer os organismos vivos que fazem parte da cadeia biológica. A afirmação é de Luís Cláudio Paterno, pesquisador da Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais, durante a palestra “Controle biológico de pragas em hidroponia” no I Encontro Sul-Brasileiro de Hidroponia.
Segundo o pesquisador, o controle biológico na hidroponia só terá sucesso se o produtor conhecer minimamente os insetos que causam as pragas e os inimigos naturais desses insetos. Por terem pernas articuladas, exoesqueleto, ou seja, uma “carapaça dura” que protege o corpo, asas e cinco ou mais corações, os insetos são animais de grande resistência e possuem facilidade de adaptação nos ambientes em que se encontram.

Além disso, o potencial reprodutivo destes animais também é alto. Conforme Paterno só não é maior ainda por influência da temperatura, da chuva e do vento. Eventuais incidências de insetos na hidroponia se explica por que ali existe o ambiente ideal para a vida do inseto (pouco vento e temperatura agradável, por exemplo). Segundo o palestrante, não é possível interferir nas características físicas dos insetos, mas para diminuir a incidência das pragas na hidroponia uma alternativa viável é a predação (quando um ser vivo come outro ser vivo).

A população de um inseto nunca é constante. “O problema é que quando os produtores colocam veneno nas plantas, além de matar a praga, estão eliminando também o inimigo natural da praga”, comentou. Para o palestrante não é porque existe um inseto na hidroponia que isto significa que ele está se alimentando da planta. 
Os inimigos naturais podem ser predadores que é quando um animal come o outro para sobreviver, por exemplo besouros, percevejos, moscas, tripes, ácaros e aranhas. Também podem ser parasitóides, quando se hospedam no inseto para se alimentar e acabam por matar o hospedeiro. Dois exemplos são as microvespas e algumas moscas. Ou então os inimigos naturais são patógenos, que causam doenças ao inseto, atrasando o desenvolvimento ou mesmo matando o animal. Como exemplo de patógenos existem fungos, vírus, bactérias e nematóides.

Como exemplos de pragas que podem ser resolvidas com controle biológico, o palestrante citou o tripes, que transmite virose às plantas e pode ser controlado com fungos bovéria e metarriso, além de predadores como ácaros, outros tripes predadores e o percevejo Orius, considerado por Paterno como o melhor inimigo natural de tripes conhecido atualmente. O palestrante alertou que não é possível tratar plantas que possuem o ciclo de crescimento curto (20 a 30 dias) como as folhosas, por exemplo. Segundo ele, devido ao curto prazo, não dá tempo de os predadores atuarem na praga.

Outra praga citada foi o pulgão, que suga a seiva da planta e transmite o vírus do mosaico da alface. Para o controle biológico do pulgão, Paterno aconselha a joaninha, as larvas dos crisopídeos, dos serfídeos e de micro-vespas. Estes animais, quando adultos, comem néctar e pólen, por isso, o palestrante ensina que é necessário ter determinados tipos de flores na casa de vegetação para que os inimigos naturais tenham o que comer na fase adulta.

Além de tripes e pulgões, contra a mosca branca, os inimigos naturais mais eficazes são micro-vespas, encarsia, orius, joaninhas, tripes predador, crisopídio e mirídeo. Para o controle de minadores, a sugestão é utilizar micro-vespas e nematóides e para o controle de lagartas, as vespas, tripes predadoras e aranhas.


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